terça-feira, 23 de setembro de 2008
It's your turn now, Susie!
Bem-vinda ao erasmus!hehe. A partir de agora tambem tens de escrever aqui!
Claudia, já só faltas tu!
Beijinho e boa sorte, Susie!
MJ
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
A fazer da hause uma home!
Sim, já está quase a fazer um mês desde que aterrei aqui e já tenho imenso para contar mas decidi que agora vou responder a uma das primeiras perguntas que me fazem, aí de Lisboa: “Como é a tua casa?”. Pois bem, no inicio a minha reacção foi simplesmente um murmuro, estilo “hmm não parece muito mal..”. Entrei no quarto: um armário, uma estante, uma cama, uma mesa e uma cadeira a acompanhar. Mas como uma pessoa nunca acredita à primeira vista que as coisas estão bem, voltamos a olhar e aí já reparamos no chão cheio de manchas e no colchão absolutamente nojento que estava na cama (perdoem-me a linguagem, mas se vissem o estado daquilo percebiam!). Cozinha: fogão (sujo, mas enfim..desde que funcione não reclamo!) uma bancada/escorredor e, felicidade das felicidades, loiça! Pratos, taças, panelas, copos de àgua, vinho, cerveja e todas os pré-requisitos mínimos necessários à confecção de uma refeição! Boa, então bora lá trocar o colchão e desmanchar a mala. Dia 2, lavar a casa (sim, eu sei que podia ter lavado a casa quando cheguei, mas não estava assim tão mal, tá?). Vassoura, não existe mas tenho uma esfregona simpática e mãos à obra. Três embalagens diferentes de detergente… mistura-se todos! Mal não há de fazer..! Conselhos da mãe: toalhitas, ok! Realmente há coisas que ajudam, Thanks mom!
Entretanto a minha casa já estava arrumada, mas eu ainda estava a dormir num saco-cama. Missão ikea: Uns lencois de 5euros (gente, é um lençol, não vale a pena ser exigente!E ele não é assim tão feio!), uma almofada gigante e um edredon; umas velas, dois individuais (um para mim e outro para…alguém!).
Está tudo limpo e já tenho cobertores, mas porque é que o meu quarto continua a parecer uma caixa de sapatos? Conclusão, porque ainda estou aqui à pouco tempo. Se há coisa que percebi é que uma casa só passa a lar depois de verdadeiramente vivermos nela! Já comecei a colar uns posters, uns flyers de sítios onde já estive, a programação de alguns teatros, exposições e, claro, das festas! Já posso apontar para um postal e dizer, “sim, isso deram-me a semana passada, quando fomos ao Merkstatt”.
Se quiserem, podem sempre mandar fotografias para colar na parede. Já tenho algumas, mas estou a prever encher as paredes! Paredes brancas lembram um hospital, não acham? Seja como for, apesar de lhe faltar o micro-ondas, a mesa de cabeceira e a maquina de lavar a loiça, estou cada vez a gostar mais da minha casa! A ver se não me esqueço de antes de voltar para Lisboa mostrar umas fotos do antes e depois. Ah, e essencial, estão todos convidados a visitar-me e ver pessoalmente o meu ninho alemão! :D
Beijinho,
MJ
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
De à beira do Tejo para à beira do Reno, Parte I
À medida que começamos a mandar papeis de uma Universidade para a outra vem o stress e o correr contra o relógio para garantir que conseguimos todas as assinaturas e carimbos em todos os impressos, formulários, certificados e documentos cada um com nomes e assuntos diferentes. Quando tudo acalma começamos interiormente a fazer contagem decrescente, "Daqui a um mês já não estamos cá..Não é estranho?", e apesar do bichinho começar a remexer na barriga vamos vivendo o nosso ultimo mês como se fosse outro qualquer mas apreciando algumas pequenas coisas com um carinho especial.
Entretanto o mês passou a uma semana e já temos os bilhetes comprados, a papelada organizada, uma lista das coisas que não nos podemos esquecer! Começam a perguntar "Então e vais fazer um jantar de despedida? Sim, acho que sim, mas depois digo-te qualquer coisa com mais certeza."; as pessoas começam a partilhar e a repetir over and over conselhos e avisos, "do's and don'ts", dicas e opiniões sobre tudo o que implica viver sozinha, cozinhar, lavar a roupa, a loiça, a casa, manter o quarto arrumado ("Sim, lá por tares sozinha não penses que podes deixar tudo numa bagunça!"), e tudo aquilo que se deseja é que se fale de coisas banais. Nessa altura, já se começa a perder a coragem. "Daqui a uma semana já não estou cá..!" e esse pensamento invade a cabeça desde o momento em que se acorda até à altura em que se tenta adormecer, e não se consegue. Telefonemas meio inconvenientes a meio da noite com desabafos e algumas lágrimas que se começam a formar, tudo para ver se, falando com alguém, deixamos de pensar no que nos espera.
Até que chega o dia D. Na véspera preparam-se mentalmente uma lista infinita de discursos e desejos para as ultimas pessoas que nos vão ver, mas na altura em que nos despedimos antes de desaparecer para dentro do aeroporto não nos conseguimos lembrar de apenas um. Mais um ou outro conselho para tentar aliviar o clima, mas sem sucesso. Viras as costas e sabes que a próxima vez que vais ter aquele abraço quente e familiar vai ser passado muito tempo, na altura infinito. Fazes o check-in, as pessoas olham para ti e querem ler-te os pensamentos. Vais para o avião, "oh meu Deus, isto já devia ter descolado há uma hora!", e quando finalmente vai partir só queres que alguém agarre a tua mão e te diga "tem calma". Em vez disso só se vê gente a dormir (sim, há quem consiga adormecer antes do avião descolar!) e o homem ao teu lado evita olhar para ti, de tão desconfortavel que se sente com a tua tristeza. "Agora não há volta a dar". Chegas. Ligas o telemóvel, "Benvindo à Alemanha!". Pegar na mala ("yes, veio!"), taxi a correr para chegar a tempo de conseguir as chaves de casa. Chamadas a dizer que chegaste. A partir do momento em que entras no táxi, é tudo a mil à hora, e não é por estares num mercedes numa auto-estrada alemã. Um leque bem aventuroso de coisas a fazer que esperas não acabar cedo, porque não queres ter a cabeça livre para pensar. Sentes a necessidade de falar, fazer amigos para garantir que vais gostar de estar aí, e começas a meter conversa com alguém que se sentou ao teu lado. Passado umas horas vão juntos para casa e combinam qualquer coisa para o dia a seguir. Queriam saber como foram os meus dias quando cheguei, eu sei. Mas para isso tinha primeiro de dizer como foram os anteriores. Prometo que na Parte II escrevo qualquer coisa que vos dê coragem, já que agora estão na fase em que se precisa de uns empurroes e a ultima coisa que querem é que eu seja uma drama queen. Mas tenho a certeza que vão concordar comigo pelo menos quando chegarem a Ljubljana e a Nottingham. Agora o que precisam de saber é que custa, mas passa, e quando passa sentes-te feliz e voltas ao estado da euforia e do "Vai ser tão fixe!". Eu sei, porque já estou nessa fase de novo e desconfio que nela vou ficar por muito tempo (cerca de seis meses!). Beijo grande de saudades aqui do centro da Europa, Maria João
